Alimentação infantil e pandemia


Em tempos de pandemia, crianças mais tempo em casa, naturalmente há um impacto nas rotinas habituais e isso pode acabar afetando a alimentação dos pequenos também. Acordar mais tarde, dormir mais tarde, excesso de acesso a tecnologias, são situações comuns neste período atípico. Uma pesquisa feita pela Sociedade brasileira de Pediatria (SBP) e pela Federação das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), revelou alterações no comportamento das crianças durante a pandemia. O levantamento foi realizado através de questionário online, entre 20 de julho e 16 de agosto, e ouviu 1.525 profissionais - 951 pediatras e 574 ginecologistas e obstetras - de todo o país.


De acordo com o estudo, 75% dos médicos relataram que os pacientes apresentaram oscilação de humor, como uma criança que era extrovertida e ficou retraída ou vice-versa. Em seguida, as mudanças mais notadas pelos pediatras nos pacientes durante a pandemia foram ansiedade, irritabilidade, depressão, agitação, insônia, tristeza, agressividade e aumento de apetite.

Muitos pais têm relatado que as crianças estão comendo mais em razão da ansiedade gerada pelo confinamento. Quais são as recomendações nesses casos? Em entrevista ao  Meu Catavento Colorido, a nutricionista Patrícia Rios fala sobre essas e outras questões.

Meu Catavento Colorido: Quais os impactos reais que a pandemia provocou na alimentação dos pequenos?

Patrícia Rios: O distanciamento imposto pela pandemia provocou algumas alterações no nosso comportamento em geral, inclusive na rotina alimentar. Na infância, a diminuição da prática de atividades físicas e o fator emocional associado à condição de isolamento, sem poder ter contato com outras crianças, acaba gerando irritabilidade e desconforto, intensificadas pelas alterações significativas nas rotinas. Nesse contexto, a utilização de alimentos com boa qualidade nutricional, é de fundamental importância, já que a ingestão de alimentos com excesso de açúcar, por exemplo, tende a agravar esse quadro. Os pais devem ainda ter o cuidado de trazer as crianças para a cozinha, envolvendo-as no planejamento e na preparação das refeições. Isto é extremamente importante para promover a educação dos hábitos alimentares para o consumo de alimentos saudáveis, como é o caso das frutas, das verduras e dos legumes.

MCC: Como os hábitos alimentares dos pais podem interferir, seja positivamente ou negativamente, na saúde e qualidade de vida dos filhos?

Patrícia Rios: Os pais possuem importante papel na formação do hábito alimentar infantil. As escolhas alimentares parentais, em relação à quantidade e qualidade dos alimentos podem determinar o comportamento alimentar das crianças, já que, especialmente nos primeiros anos da infância, os filhos tendem a reproduzir as ações de seus familiares. As práticas alimentares infantis têm sido caracterizadas por um consumo excessivo de alimentos de alto valor energético, com excesso de gordura, sal e açúcar, enquanto a ingestão de bons alimentos como as frutas e hortaliças, estão bem abaixo do recomendado. O consumo de alimentos pelas crianças normalmente está relacionado à disponibilidade domiciliar, e também está diretamente associado ao seu estado de saúde atual e nos anos futuros. 

MCC: Em um cenário no qual se valoriza as comidas rápidas, as chamadas fast foods, na hora de fazer compras, o que seriam boas escolha para a alimentação das crianças?

Patrícia Rios: Evite levar as crianças ao mercado, além de não ser recomendado por conta da pandemia, os adultos conseguem ter mais liberdade para escolher os alimentos que irão comprar. É importante fazer uma lista de compras para facilitar um planejamento alimentar saudável, que dê prioridade a alimentos frescos como frutas, legumes e verduras da estação, pois são mais baratos, nutritivos, e normalmente mais saborosos.

MCC: Comidas fast food nas entregas em domicílio e nos drive-thru foram muito comuns no ápice da pandemia, as pessoas em geral acham mais prático e barato. É mito ou verdade que alimentação saudável custa mais caro?

Patrícia Rios: Mito! Devido às propagandas televisivas e a facilidade de acesso a esses alimentos industrializados, virou senso comum a crença em que ter uma alimentação saudável custa caro, mas é necessário quebrar esse tabu que, na maioria vezes, serve apenas como uma desculpa para não se alimentar bem. As pessoas automaticamente ligam os produtos saudáveis ao pão sem glúten, a produtos diet ou light, mas a verdade é bem distante disso. A alimentação saudável é aquela do “mato” mesmo, a que podemos ter no fundo de casa, como frutas, verduras, leguminosas e raízes; são os alimentos mais naturais possíveis, com a maior qualidade nutricional, poder antioxidante e anti-inflamatório.

MCC: O que pode, de forma prática, na sua opinião, ajudar no combate á obesidade infantil?

Patrícia Rios: Quando se fala em obesidade infantil, a primeira coisa que vem à cabeça são os hábitos alimentares da criança. Isso não só deve ser pontuado, como é muito importante, já que a saúde e estrutura do nosso corpo é um reflexo da qualidade dos alimentos que ingerimos; não é atoa que a frase “você é aquilo que come” se tornou tão banal, ela traduz de uma forma simples a relação do nosso corpo com os nutrientes que recebe. Além dos hábitos alimentares, é preciso analisar o estilo de vida da criança como um todo. Ela é sedentária? Tem uma boa rotina de sono? Quais são suas atividades de lazer? O que ela está consumindo? Essas são perguntas que os pais precisam se fazer para criar uma rotina para seus filhos que não favoreça o desenvolvimento dessa doença. 

Não há problema em comer pratos mais calóricos de vez em quando, desde que isso seja uma exceção e não a regra. Selecionei abaixo algumas dicas de cuidados com a alimentação infantil durante a quarentena:

Crie uma rotina de alimentação, com horários definidos para cada refeição, pois isso reduz o risco de a criança querer comer lanches e doces durante o dia para “enganar” o estômago.

Não ofereça alimentos direto do pacote, especialmente industrializados como bolachas e salgadinhos. Divida os produtos em potes separados para limitar a quantidade que a criança irá comer e evitar exageros.

Se possível, realize algumas refeições em família, com todos sentados juntos para comer, para que a hora da refeição também se torne um momento agradável e prazeroso.

Deixe frutas prontas para consumo à disposição da criança nos momentos em que a fome bater entre as refeições. Lembre-se de lavar bem os alimentos antes do consumo.

Ofereça água, muita água! Isso vale para os adultos também. Tente se lembrar de tomar água com frequência e, sempre que beber, ofereça também às crianças. Existem aplicativos de celular que ajudam enviando lembretes.





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