Estresse infantil: conheça os sintomas e saiba como lidar com este problema durante o período da pandemia

Choro, insônia e falta de apetite são alguns dos muitos sinais de que uma criança está passando por um momento de estresse. Este distúrbio que acontece, geralmente, diante de situações difíceis, tem se tornado cada vez mais comum entre os pequenos, de modo especial neste tempo de pandemia, já que meninos e meninas precisaram ficar mais tempo dentro de casa e longe dos amiguinhos.


Mas, você sabia que, com a ajuda de um profissional, ou com atitudes aparentemente simples, é possível diminuir o estresse dos meninos e das meninas? Para falar sobre este assunto, a equipe do Meu Catavento Colorido entrevistou a psicóloga Cynthia Julie Valadão. Confira o bate-papo!



Meu Catavento Colorido - Quais são os principais sinais de que uma criança está estressada e como os adultos podem lidar com o estresse infantil?



Cynthia Julie Valadão - Os principais sinais na criança são a irritabilidade, o choro excessivo, dificuldade de concentração, medo (incluindo o medo da doença), pesadelos, falta de apetite, insônia e uma vontade maior de estar a todo tempo ao lado dos pais, como resultado da insegurança de ficar sozinho. É necessário que, antes de tudo, os adultos compreendam que essas reações são resultado do grande período de isolamento e que, a partir disso, acolham essa criança, compartilhem momentos de brincadeira e escuta dos sentimentos desta criança.



Meu Catavento Colorido - Neste período de pandemia, tem sido muito comum ouvir pais e mães reclamando de crianças estressadas. Assim, o que os adultos podem fazer para diminuir o nervosismo dos pequenos que estão mais tempo dentro de casa e sem contato com outras crianças?



Cynthia Julie Valadão - O primeiro passo é manter a criança acolhida e segura. Informá-la sobre o que estamos passando, de acordo com sua idade (o que é a doença, porque precisamos do isolamento, formas de prevenção), para que sua insegurança e ansiedade em relação a isso diminua. Depois, compartilhar momentos de brincadeira, onde a criança se desenvolve e aprende, de forma lúdica, conseguindo também, a partir do brincar, interpretar e expressar o que está sentindo e vivenciando. Jogos que envolvam a corporeidade são bastante significativos nestes momentos. Além disso, é importante que os adultos permitam que a criança fale sobre o que está sentindo. Esse espaço de escuta, faz com que ela se sinta compreendida e possa trabalhar melhor estas emoções que vem vivenciando. Por fim, mas igualmente necessário, está a tentativa de manter a rotina da maneira mais organizada possível e manter o contato, mesmo que virtual, com pessoas que tem laço afetivo com a criança.



Meu Catavento Colorido - Qual a diferença entre estresse, ansiedade e nervosismo infantil?



Cynthia Julie Valadão - O nervosismo é uma sensação temporária, que tem seu fim a partir do momento que o estresse desaparece. O estresse é a reação do nosso corpo a uma situação de tensão. Com isso, são desencadeadas reações químicas e fisiológicas que alteram o funcionamento do corpo. Já a ansiedade, é uma reação normal do organismo para adaptar-se a novas situações. Quando em excesso, esta ansiedade pode acabar prejudicando a capacidade de se adequar e a execução de tarefas dessas pessoas, gerando um "estado nervoso contínuo", o que pode caracterizar um transtorno.



Meu Catavento Colorido - A atividade física é grande aliada na solução de problemas físicos e psicológicos. No caso do estresse, mas levando em consideração o isolamento social, quais são os tipos de atividades indicadas para ajudar as crianças sem precisar sair das casas?



Cynthia Julie Valadão - Atividades lúdicas são a melhor pedida neste momento. E, principalmente, atividades que usem o corpo, como pular cordas, amarelinha, esconde-esconde e circuitos de exercícios. Se as crianças puderem manter as atividades físicas que já faziam, mesmo no modo online, é de grande valia. Outra grande dica é inserir as crianças nas atividades domésticas, de acordo com a idade, de forma que ela compreenda a importância da tarefa que faz e faça parte da rotina da família.



Meu Catavento Colorido - Os aparatos tecnológicos estão cada vez mais cedo nas mãos dos meninos e das meninas. Podemos considerar que os celulares, tablets e computadores influenciam ou aumentam o nervosismo nas crianças?



Cynthia Julie Valadão - Sim, podemos. Já existem inúmeros trabalhos publicados que comprovam os prejuízos trazidos pelo uso excessivo da tecnologia pelas crianças, a exemplo do artigo "Principais prejuízos biopsicossociais no uso abusivo da tecnologia na infância: percepções dos pais", publicado na Revista Multidisciplinar e de Psicologia, em julho de 2020. Na realidade, é importante que o uso seja limitado, de acordo com a idade da criança, para que esses prejuízos sejam minimizados.



Meu Catavento Colorido - Qual a orientação que você pode deixar para os adultos que têm observado as crianças mais nervosas ou estressadas?



Cynthia Julie Valadão - Acolhimento. Todos nós estamos exaustos após tanto tempo de isolamento, a diferença é que as crianças ainda estão desenvolvendo sua percepção acerca do que está sentindo e vivenciando. Isso faz com que elas não reconheçam o que estão sentindo, o que torna essencial que os adultos as auxiliem neste momento. Conversar acerca da situação e dos sentimentos faz com que a criança compreenda o momento que estamos passando, sua delicadeza e importância, se sintam mais seguras e confiem na sua rede de apoio familiar.






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